Ter um gato em casa é uma alegria sem tamanho. Os bichanos são muito companheiros, apesar de muitos acharem que isso é característica dos cães. Por essas e outras, nada parte mais o coração de um tutor do que ver seu felino doente. Algumas doenças são comuns em gatos, e é importante estar atento a elas para diagnosticar e logo tratar o problema.

“Na verdade, são dezenas de doenças frequentes nos felinos, dependendo da faixa etária deles”, explica Mariane Brunner, especialista em felinos do Hospital Veterinário Santa Inês. Associadas à idade, estão doenças gastrointestinais, oncológicas, doença renal crônica e articular degenerativa, por exemplo. “Mas, podemos citar também doenças infecciosas, como FIV, FeLV, PIF, e doenças endócrinas, como diabetes mellitus e hipertireoidismo”, revela a médica veterinária.

Por serem mamíferos do topo da cadeia alimentar, os gatos têm por instinto esconder boa parte dos sintomas de suas enfermidades. Os tutores acabam descobrindo a doença já em progressão, podendo, inclusive, estar em estágio avançado. Isso reafirma a grande necessidade de serem acompanhados periodicamente por médicos especializados.

Para ajudar os tutores de gatos, Mariane explicou as causas, sintomas e tratamentos de algumas das principais doenças que acometem esses animais. Confira:

Vírus da imunodeficiência felina (FIV)

FIV é uma doença causada por um vírus e atua, nos gatos, como a AIDS em humanos. Ela afeta o sistema imunológico, deixando o felino muito suscetível a outras doenças, que em animais saudáveis não gerariam grandes preocupações. Assim como a AIDS humana, o FIV não tem sinais e sintomas específicos. Geralmente, se desconfia da doença quando uma simples gripe não se resolve, ou quando há emagrecimento sem motivo aparente, por exemplo.

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O FIV é transmitido através da saliva, normalmente no momento da mordedura em brigas de gatos. Sendo assim, se o seu gatinho tem acesso a rua, ele tem maiores chances de contrair a doença. Principalmente se ele for macho não castrado, que costuma sair a noite em busca de namoradas. Isso porque, na disputa pela fêmea, ele pode se envolver com um outro macho doente, ou mesmo uma fêmea doente que recuse suas carícias. O FIV também pode ser transmitido durante o ato sexual, ou da mãe paras os filhotes durante a gestação ou amamentação.

O diagnóstico é feito através de um teste sorológico, precisando de pouco sangue para ser realizado. Por enquanto, não há cura para a doença, e por isso o tratamento realizado é paliativo. Ele não é direcionado para o FIV, mas varia de acordo com os sintomas que o gato apresenta.

Vírus da leucemia felina (FeLV)

Junto com a FIV, a FeLV é uma das doenças infecciosas de maior importância para os nossos gatos. O vírus da FeLV está presente na maioria dos fluidos corporais, como saliva, fezes, urina e leite. Para que ocorra a transmissão, deve haver um contato sustentado, ou seja, um único contato com um animal soropositivo não é o suficiente.

É por isso que o comportamento de lambeduras entre gatos, compartilhamento de vasilhas de água, comida e leiteiras favorece a transmissão da FeLV. Por esse motivo também, a doença é encontrada principalmente em locais com muitos gatos confinados. A transmissão pode ocorrer ainda durante a gestação ou amamentação.

Compartilhar vasilhas pode ser um comportamento perigoso pois favorece a transmissão do vírus

Seus sintomas são inespecíficos. Os gatos podem apresentar febre, mal-estar ou se manterem assintomáticos por um período. O fato de o vírus da FeLV possuir vários subtipos acarreta em várias formas de manifestação da doença, podendo o animal apresentar queda da imunidade, anemias, linfomas e leucemias (combinados ou isolados).

O diagnóstico é feito através de sorologia, que testa tanto a FIV quanto a FeLV. Assim como a FIV, a FeLV não tem cura, mas existem formas de manter o bem-estar e qualidade de vida do animal. Os tratamentos são direcionados aos sintomas que o gato apresenta, e não à FeLV especificamente.

Peritonite Infecciosa Felina (PIF)

A PIF é a sigla para Peritonite Infeciosa Felina. Infelizmente, a doença é comum, fatal e sem prevenção. O agente causador da doença é uma mutação do vírus Coronavírus felino (FCov). Esse vírus consegue se manter em ambientes secos por até sete semanas, mas é sensível a desinfetantes comuns.

Cerca de 80 a 90% dos gatos que vivem em colônia, e 60% dos gatos que vivem sozinhos, já entraram em contato com o FCov em algum momento da vida. Mas, por razões desconhecidas, uma mutação pontual ocorre em cerca de 10 a 12% desses animais, e transforma o vírus no causador da PIF (FIPV). A transmissão do FCov se dá através de fezes, saliva e urina. A partir do momento que o FCov sofre a mutação e vira FIPV, ele dificilmente será transmitido, devido a forte ligação com as células e tecidos. “Por esse motivo, hoje já é discutida a classificação da PIF como doença infecciosa, uma vez que ela, por si só, não é transmitida de animal para animal”.

 

A PIF tem duas apresentações clínicas: a forma efusiva ou úmida e a forma seca. A apresentação clínica que o animal irá desenvolver depende de sua imunidade. Os sintomas gerais são muito inespecíficos, como febre, apatia, perda de apetite e perda de peso. Na forma efusiva, o animal começa a ter acúmulo de líquidos nas cavidades torácica e/ou abdominal, podendo apresentar icterícia (mucosas amareladas), aumento do tamanho dos gânglios, desconforto abdominal e dificuldade de respirar.

Na forma seca, os sintomas são ainda menos específicos. Pode haver uveíte, que é um tipo de inflamação nos olhos, e icterícia, além de sinais neurológicos como convulsões, tremores, problemas renais e articulares. Os sinais vão depender muito do órgão mais afetado pelo vírus. “Não há diagnóstico laboratorial, o diagnóstico da PIF é como montar um quebra-cabeça”, alerta Mariane. “A sorologia em busca de FCov é falha, uma vez que só vai dizer se o animal entrou em contato com o vírus – e, como dito antes, pelo menos 60% deles entraram em contato, mas não desenvolvem a doença”, explica a especialista.

A única maneira de se fazer uma tentativa de diagnóstico mais precisa é através da biópsia dos órgãos, ou seja, uma cirurgia exploratória em busca de lesões em órgãos. Além desta forma mais invasiva, o diagnóstico é apenas uma hipótese. Infelizmente não há tratamento e muito menos cura. Mais uma vez, o que se faz é um tratamento paliativo para dar conforto ao animal.

Diabetes

A diabetes felina é uma desordem pancreática que gera hiperglicemia, ou excesso de açúcar no sangue, devido a falta de insulina ou sua incapacidade em exercer adequadamente seus efeitos. Dos sete aos dez anos de idade, cerca de 20% a 30% dos animais são diagnosticados com diabetes, e 55% a 65% após os dez anos de idade.

A diabetes felina corresponde, em 80% dos casos, com a diabetes tipo 2 em humanos. Ou seja, o pâncreas consegue produzir a insulina, porém ela não atua de maneira eficiente. Este tipo de diabetes está intimamente ligado à obesidade. O número de casos de diabetes em gatos tem aumentado nos últimos anos devido ao aumento dos índices de obesidade felina e do consumo de dietas com altos níveis de carboidratos.

Os principais sintomas da diabetes felina são semelhantes aos da diabetes em humanos: sede e fome excessivas nas fases iniciais, aumento nos episódios e nos volumes de micção e perda de peso. Nas fases mais avançadas da doença, o animal pode apresentar desidratação, vômitos, apatia, além de andar encostando os calcanhares no chão ao invés de apenas os dígitos.

O tratamento inclui o uso de insulina e dieta especial, além do manejo da obesidade. A insulina que o felino melhor se adapta é a insulina de longa duração, que mantém os valores de glicemia estáveis por mais tempo e evita picos de glicose sanguínea. As dietas especiais para animais diabéticos possuem níveis moderados de calorias para ajudar a controlar o sobrepeso, formulações com maiores teores de fibras e proteínas e menores de carboidratos, a fim de diminuir as variações glicêmicas durante o dia.

Uma particularidade dos gatos diabéticos é que, em alguns casos, o animal pode apresentar remissão, ou seja, as taxas de glicose sanguínea permanecem dentro dos limites de normalidade mesmo sem o uso de insulina. Porém, vale ressaltar que essa remissão não significa cura, pois estes animais podem, depois de um tempo em remissão, apresentar novamente os sintomas de diabetes, tendo então que retomar o tratamento com insulina.

Fonte:PetCidade